A Anthropic jogou fora 80% do system prompt, e nada piorou
A Anthropic está mandando você apagar todo o seu system prompt. Não sabe o que é isso? Então vem comigo que eu te explico.
Imagina que você é um funcionário novo. No primeiro dia te entregam um manual gigante, com cada detalhe do que você deve fazer e do que você jamais deveria fazer dentro da empresa. Só que o manual briga consigo mesmo, e a cada tarefa você gasta metade da energia decidindo qual regra obedecer.
Aí alguém faz a pergunta certeira: e se o problema não for o funcionário, e sim o manual?
Foi exatamente isso que a Anthropic fez. Eles jogaram fora 80% do system prompt nos testes internos do código deles. E aí aconteceu o inesperado: nada piorou. Na verdade, melhorou para caramba.
O que é o system prompt, na prática
Antes de você digitar a primeira letra do seu prompt e mandar para o Claude Code, ele já entregou três coisas ao modelo: quem ele é, quais ferramentas ele pode usar e onde ele não pode mexer.
E repare no seguinte: toda vez que você manda um prompt, esse briefing vai junto. Ele é fixo.
Existe uma hierarquia aí. O primeiro system prompt fica lá no servidor da Anthropic, com os guardrails e as travas, e é grudado no seu prompt antes de chegar na LLM. Foi nesse que eles fizeram a limpa de 80%.
E agora eles recomendam que você faça a sua limpeza, nos níveis que estão no seu computador:
- CLAUDE.md global, na sua pasta de usuário. Vale para todos os projetos.
- CLAUDE.md do projeto, dentro do repositório. É o que o Mira e o Reversa alteram quando são instalados. No caso do Reversa, é ali que mora a proibição de mexer nas pastas do projeto legado.
- CLAUDE.md por subpasta, para regras mais locais.
O que sai e o que fica
O que a Anthropic sugere excluir é aquele tipo de instrução que o modelo já traz de fábrica:
- não use docstring, sempre comente tudo, escreva código limpo;
- manual inteiro de code review;
- diário de sessão.
Simplicidade primeiro, mudanças cirúrgicas, tudo isso já está internamente no modelo. Você ficar repetindo só queima token.
O que fica são as regras do seu projeto. No Reversa, por exemplo: não mexa no código legado, não altere o que já está feito. Isso o modelo não tem como saber sozinho, e isso é importante.
A ideia é que o CLAUDE.md vire uma espécie de placa de índice, um padrão de roteamento. Ele aponta para o content.md, o product.md, as skills, as referências. E cada destino só carrega quando alguém pega aquele caminho.
O /doctor faz o raio X
E aí eles colocaram uma ferramenta interessantíssima dentro do próprio Claude:
/doctor
Ele é um tipo de raio X. Vai varrendo a configuração inteira e procurando skill que ninguém chama, MCP que foi esquecido e CLAUDE.md que está inchado. Mostra os problemas, mas no final das contas quem decide é você.
Eu testei numa pasta com um CLAUDE.md que eu tinha enchido de regra:
/doctor analise o @CLAUDE.md
Ele isolou a análise naquele arquivo, tratando como se fosse um contêiner, sem considerar o global. E o veredito foi direto: sim, sofreria limpeza, cerca de 60% do arquivo sai. Epa, você dançou, hein?
Aí ele listou os critérios, apontando exatamente aquelas proibições e convenções que já são comportamento padrão do modelo.
No fim ele pergunta se você quer cortar tudo. Eu mandei cortar. E olha, eu nem precisei passar as regras publicadas pela Anthropic, ele achou sozinho.
O resultado ficou em dois arquivos, o novo e o antigo. A diferença de tamanho é visível, quase metade. Texto mais simples, mais direto, sem firula.
Por que isso importa
Menos texto fixo significa menos token queimado em toda mensagem que você manda, e um modelo com mais espaço para trabalhar no problema que interessa.
A gente virou chefe de inteligência artificial, né? Então deixa o teu funcionário respirar para trabalhar.