Mira Studio: gravando vídeo vertical sem OBS
Você já reparou no tanto de coisa que precisa estar aberta ao mesmo tempo para gravar um vídeo vertical? A apresentação rodando em algum lugar, o OBS capturando a tela e a câmera, e um papelzinho fora do quadro com o texto que você precisa falar. Eu fazia isso toda semana e sempre achei uma canseira.
Repare que o problema nem é a gravação em si. O problema é tudo que vem antes dela. Você monta a cena no OBS, cria a fonte de captura de tela, cria a fonte da câmera, redimensiona uma por cima da outra, testa, descobre que a câmera ficou tapando o gráfico, volta e ajusta. Quando finalmente está tudo no lugar, você já perdeu o fio do que ia falar, e aí vem a segunda canseira, que é ler o roteiro olhando para o lado enquanto finge que olha para a câmera.
O Mira Studio junta tudo isso numa tela só.
A ideia é simples de descrever e estranha de ver pela primeira vez: a apresentação continua sendo um deck do Mira, feito pelo próprio Mira, só que cada slide sabe como dividir o espaço entre a animação e a sua câmera.
O slide decide onde você aparece
Pense em como funciona hoje. A apresentação não sabe que você existe. Ela é um retângulo de conteúdo, e quem decide onde a sua cara entra é o software de captura, depois, por fora. É por isso que dá trabalho: você está costurando duas coisas que foram feitas sem saber uma da outra.
Olha o desenho abaixo, que coloca as duas situações lado a lado.

No Mira Studio a lógica se inverte. Na hora de montar o deck você conta ao Mira o que quer em cada slide, e a composição nasce junto com o conteúdo. Um slide pode ter a animação ocupando a tela inteira, outro pode dividir o espaço entre a animação e a câmera, outro pode colocar a animação em cima e você embaixo, num split, e outro pode ser só você, com SVGs animados sobrepostos à imagem da câmera.
Repare que não é edição depois. É o slide já nascer com a composição que vai para o vídeo. E isso muda a forma como você planeja o conteúdo, porque você passa a pensar em cada trecho já sabendo se ele pede a sua cara, o desenho, ou os dois ao mesmo tempo.
Mira Web: um site de verdade dentro da animação
Um dos blocos disponíveis é o Mira Web, que carrega uma página real dentro do slide. Que loucura, né?
Na demonstração eu abri o PDF do meu artigo científico ali dentro, rolando de verdade, enquanto a câmera continuava no mesmo quadro. Não é print colado na tela, não é screenshot que você recorta e cola. É a página viva, carregada dentro da animação, do mesmo jeito que abriria no navegador.
Pense no que isso resolve. Toda vez que você quer mostrar um site, uma documentação ou um repositório no meio de um vídeo, você tem duas opções ruins: ou compartilha a tela inteira e perde a composição do slide, ou tira print e perde o movimento. Com o Mira Web o site entra como mais um elemento do slide, do lado da animação e da sua câmera, sem quebrar nada.
O teleprompter que não entra na gravação
Do lado esquerdo do estúdio fica o roteiro, o texto que você vai falar naquele trecho. Com um botão, esse texto aparece sobreposto ao vídeo, só que ele não é gravado. Você olha para frente, fala olhando para a câmera, e quem assiste não vê nada.
É a mesma tela, com uma diferença que só existe do seu lado:

Perceba a diferença que isso faz no vídeo final. Quando você lê olhando para o lado, o espectador sente, mesmo sem saber explicar o porquê. O olhar desviado quebra a sensação de conversa, e no vertical, onde a sua cara ocupa boa parte da tela, isso fica ainda mais evidente. Falar olhando na câmera é o que faz o vídeo parecer que é com você, e não sobre você.
E dá para mover a frase de posição. Se a sua câmera fica mais alta, sobe o texto para perto dela e o olhar continua natural. Se a composição do slide ocupa a parte de baixo, joga a frase para cima e pronto.
O roteiro também é editável na hora, o que na prática é mais útil do que parece. Você grava, percebe que falou só até certo ponto, apaga o resto e o teleprompter se ajusta na mesma hora, sem você precisar sair do estúdio para mexer num arquivo.
Gravar
Aperta gravar, escolhe o encoder e pronto.
O encoder pode ser automático ou por hardware, usando a sua placa de vídeo. Vale escolher o de hardware quando você tem GPU, porque aí a compressão do vídeo sai do processador e vai para a placa, e a máquina não engasga justamente enquanto a animação está rodando na tela.
O resultado sai montado, com animação, câmera, SVG e composição de slide, sem uma linha de edição depois. E esse é o ponto: o que saía do OBS era matéria-prima, você ainda tinha trabalho pela frente. O que sai do Mira Studio já é a peça.
O conteúdo que virou a demonstração
O vídeo que eu gravei nesse formato falava justamente sobre parar de ser babá do agente de código. Pô, é cansativo demais ficar dando permissão, permissão, permissão toda vez que o agente pede autorização. Você senta para trabalhar e vira porteiro do seu próprio assistente.
Foi por isso que eu publiquei no arXiv o artigo Pare de ficar de babá do seu agente de código. Nele eu analisei mais de 50 loops reais, desses que as pessoas escrevem no dia a dia, procurando um padrão de escrita de loop. E existe padrão, sim. Quando você olha cinquenta exemplos de uma vez, as boas soluções começam a repetir a mesma estrutura, e é essa estrutura que dá para ensinar.
Junto com o artigo saiu a skill Sandeco Loop. Criar um loop é uma frase:
/sandeco-loop crie um loop que revise um texto que eu vou passar e corrija até zerar os erros
Repare no fim da frase, porque é ali que mora o segredo: até zerar os erros. O loop precisa de um critério de parada que o próprio agente consiga verificar. Sem isso ele não sabe quando terminou, e aí volta a te perguntar.
Você salva o loop com um nome e depois chama assim:
/loop-revisao contrato.doc
E ele faz o processo inteiro sozinho, sem pedir a sua bênção a cada passo.
Por que isso importa
O ganho aqui não é estético, é de atrito.
Se você produz conteúdo técnico com frequência, você conhece o custo de montar cena, sincronizar captura e reler roteiro. Esse custo não aparece em lugar nenhum, mas é ele que faz você adiar a gravação para amanhã, e depois para semana que vem. Ninguém desiste de gravar porque não tem o que dizer. Desiste porque montar tudo dá preguiça.
Quando o slide já carrega a composição, o teleprompter e até um site vivo, gravar volta a ser o que deveria ser: falar.
Se você quiser se aprofundar no Mira, o livro está em physia.com.br/mira, com as aulas ao vivo incluídas.